Do BIM à execução: Transformando uma "imagem bonita" em uma única fonte de verdade para a construção fora do local
Joonas Mauer é o vice-presidente de vendas da build.works technologies OÜ.
No atual setor de construção modular e fora do local, a digitalização se tornou o fator decisivo, separando as empresas de pré-fabricados de alto desempenho daquelas que estão lutando para acompanhar o ritmo. O sucesso não depende mais apenas da disponibilidade de material, maquinário ou mão de obra - depende mais de quão bem seus processos são definidos, conectados e continuamente aprimorados.
No centro dessa transformação está a Modelagem de Informações da Construção (BIM) - não apenas como uma ferramenta de projeto 3D, mas como a base para o Gerenciamento de Informações da Construção em toda a empresa. Quando implementado adequadamente, o BIM torna-se a espinha dorsal digital da empresa: conectando equipes, padronizando informações e transformando dados em percepções acionáveis. É a chave para a realização de operações enxutas e previsíveis, em que todas as fases - projeto, planejamento, aquisição e execução do projeto - são capacitadas por uma única fonte de verdade.
O desafio: Processos fragmentados e fluxos de informações
Apesar do progresso nas ferramentas digitais de projeto e fabricação, muitas empresas ainda lutam com fluxos de dados fragmentados. Os modelos de projeto são exportados para planilhas, as quantidades são redigitadas nos sistemas ERP e as programações de produção são geradas (e atualizadas!) manualmente. Toda transição manual pode gerar atrasos, inconsistências e está sujeita a erros humanos.
Um velho ditado, "a corrente é tão fraca quanto o seu elo mais fraco", se encaixa bem nesse caso. Quando as informações não são validadas e padronizadas adequadamente, até mesmo as ferramentas mais avançadas não conseguem oferecer todo o seu potencial.
Sistemas desconectados causam retrabalho, programação imprecisa e baixa previsibilidade dos custos do projeto. O uso do BIM pode resolver isso, mas somente quando integrado dinamicamente de ponta a ponta a todos os processos principais, criando fluxos de dados integrados e contínuos entre o design, o planejamento e a execução do projeto na fábrica e no local.
A transformação: BIM integrado como a espinha dorsal das operações da empresa
Os fluxos de trabalho modernos de BIM vão além das visualizações e da detecção de conflitos entre elementos de construção. Um modelo bem estruturado agora serve como o principal mecanismo de todo o processo, desde o conceito até a conclusão do projeto.
Em um projeto moderno fora do local, o processo começa com um modelo BIM, enriquecido com parâmetros específicos da empresa, como classificações, especificações de produtos e tarefas de trabalho, instruções e pontos de controle de garantia de qualidade. A partir desses dados enriquecidos, uma lista de materiais (BOM) completa e estruturada é gerada com facilidade. Essa lista de materiais dinâmica orienta o suprimento, a programação e também as tarefas dos funcionários, tudo isso mantendo uma referência ao modelo e seus elementos.
Para os trabalhadores do chão de fábrica e do canteiro de obras, as tarefas são diretamente vinculadas à fonte única de verdade, de modo que todos sempre trabalham com as especificações mais recentes do projeto. As verificações de qualidade e as atualizações de progresso são realimentadas no sistema, formando um fluxo bidirecional eficiente de informações entre BIM, ERP e aplicativos de execução de projetos.
As empresas que integram o BIM às soluções de ERP obtêm os benefícios mais mensuráveis - visibilidade em tempo real dos recursos, gerenciamento mais rápido de mudanças e redução do trabalho manual para fazer tudo isso acontecer. Como muitos já descobriram, é aqui que o projeto se transforma em produção benéfica real e inteligência de construção.
Lições aprendidas: 10 princípios para a digitalização de processos externos
A transformação digital só será bem-sucedida se as empresas a abordarem como uma jornada de aprimoramento de processos, e não apenas como uma atualização única de software. Os dez princípios a seguir, extraídos de anos de experiência dos setores de pré-fabricação e TI, ajudam a definir o que é uma digitalização bem-sucedida:
- Se não estiver no sistema, não existe. Os processos devem orientar o comportamento, e não o contrário.
- Insira os dados uma vez; reutilize-os em qualquer lugar. A continuidade dos dados é a espinha dorsal dos processos eficientes.
- As informações validadas devem estar acessíveis a todos. A colaboração prospera com dados de projeto compartilhados e acesso fácil.
- Não há mais cópias em papel. A documentação digital evita confusão de versões e economiza tempo.
- Organize e analise seus dados. As informações estruturadas geram insights e impulsionam a P&D.
- Defina previamente seus produtos e processos. A preparação é a chave para uma execução consistente e eficiente.
- Automatize tarefas repetitivas. Deixe as máquinas cuidarem da rotina para que as pessoas possam se concentrar nas operações personalizadas.
- Meça e avalie seu progresso. A melhoria contínua exige visibilidade e metas claras.
- Treine seu pessoal e crie uma cultura digital. As ferramentas mudam rapidamente; os conceitos perduram.
- Busque orientação experiente. Aprenda com aqueles que já passaram pela transformação digital.
Se esses princípios forem aplicados sistematicamente ao digitalizar as operações, serão criados mais previsibilidade, prazos de entrega mais curtos, menos erros e uma colaboração mais forte entre as equipes.
Plataformas como a build.works exemplificam esses conceitos na prática, conectando o BIM aos sistemas ERP, permitindo fluxos de trabalho de ponta a ponta, do projeto à produção, sem interromper a continuidade dos dados.
O resultado: Um processo mais previsível e enxuto
O impacto real da digitalização baseada em BIM está nos dados controlados e nos processos integrados de ponta a ponta. As equipes ganham a capacidade de tomar decisões com base em informações reais, não em suposições ou previsões. O planejamento e a aquisição de recursos necessários estão sempre alinhados com o design e a definição atualizados do projeto. O planejamento da produção e da construção torna-se proativo e dinâmico.
É aqui que os princípios enxutos se encontram com os fluxos de trabalho digitais: menos surpresas, menos desperdício e transições mais suaves entre os processos, desde as vendas até a entrega do projeto. Com visibilidade em tempo real dos custos, cronogramas e progresso, as empresas podem finalmente executar projetos de construção com a previsibilidade da manufatura.
Na prática, esses benefícios vão além da produtividade cotidiana. Os dados integrados melhoram a rastreabilidade, o controle de qualidade e também a sustentabilidade - assuntos em que o setor off-site compete cada vez mais por vantagens. Ao tratar as informações como um recurso valioso, é possível fazer com que elas realmente trabalhem para você, impulsionando a análise e aprimorando a tomada de decisões.
O caminho a seguir: Dos dados aos processos inteligentes
À medida que a maturidade digital cresce, as empresas estão ampliando o uso do BIM para além da coordenação e do design, para uma inteligência acionável e preditiva. A inteligência artificial e os configuradores baseados em regras agora são capazes de automatizar o trabalho rotineiro de design, otimizando layouts e simulando sequências de produção antes do início da fabricação.
Enquanto isso, os gêmeos digitais do ciclo de vida (modelos BIM ricos em dados) permitem o monitoramento e o aprimoramento contínuos do desempenho e da sustentabilidade. Essas inovações dependem de uma coisa acima de tudo: dados BIM estruturados, conectados e continuamente validados.
A direção do setor é clara: a digitalização não está substituindo as pessoas. Ela está capacitando-as com melhores informações, feedback mais rápido e possibilitando decisões mais inteligentes tomadas ao longo dos processos.
A digitalização como uma jornada contínua
O BIM é o que você faz dele. Usado estrategicamente, ele se torna a base operacional de uma empresa de construção moderna, vinculando o design do projeto à execução e transformando o uso da informação em uma vantagem competitiva.
A digitalização não acontece da noite para o dia, mas com um roteiro claro, uma abordagem disciplinada e um compromisso com o aprimoramento, qualquer empresa pode fazer isso acontecer. Como muitas empresas de manufatura externa descobriram ou estão percebendo agora, os fluxos de trabalho totalmente digitais não são mais um futuro distante, eles são a nova realidade que já está sendo adotada em todo o setor.
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